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Postado em 08/09/2009
 
Pr. Darckson Lira
Presidente da Igreja Batista Vale de Bênção
 
APRENDENDO A VIVER SEM SONHOS
 

A Bíblia fala dos sonhos de José, que começaram por volta dos 17 anos.

Depois de ascender ao trono egípcio – que seria a consumação dos sonhos – a única referência que alguém possa considerar acerca de novos sonhos de José, seria implícita em relação a transportar seus ossos do Egito, até Canaã.

Logo é Israel que vai andar por décadas no deserto, carregando apenas os “ossos de um sonhador”!

Gostei de ouvir uma entrevista de Bibi Ferreira, sobre assuntos diversos, e uma das perguntas que respondeu foi “sobre se ainda teria muitos sonhos”, e a resposta de chofre foi: “Nunca tive! Aprendi a estudar, trabalhar e fazer o melhor de mim mesma, e as coisas foram simplesmente acontecendo em minha vida”.

Perfeito!

Sonhos são facilmente transportados no coração e mente dos jovens, mas à medida que o tempo passa, eles vão se tornando um fardo a mais, que convém – a bem de nossa sanidade – ser substituídos pelos pequenos confortos que poderemos encontrar aqui e acolá, na aridez dos nossos ossos ressecados pelos desertos.

Plantamos o trigo, recolhemos os grãos, nos banhamos pelo resplendor do sol, nos encantamos com o romantismo da lua, e fizemos poesias contando estrelas: que mais nos resta?

A bênção de poder dormir sem pensar, e o descanso de uma noite sem sonhos.

Nossas pernas estão por demais cansadas para subir naquela escada trafegada por espíritos imortais, e até uma pedra, por mais áspera que seja poderá nos servir de travesseiro.

Afinal, a vida por si só, é um enorme sonho – é claro também pesadelo – mas como diz Belchior: “Viver é melhor que Sonhar”!

José sonhou muito, o bastante, e chega um tempo que é mister parar de sonhar, viver o que se cultivou, tentar desfrutar o que resta da vida, e abrir espaço para que outros sonhem.

A vida é ampla demais, e outros poetas e sonhadores loucos, vão também compor suas melodias, entabular seus versos, pincelar o mundo com suas cores, recriando a realidade, dando sua interpretação dos fatos, escrevendo a história.

Mas e os ossos de José?

É preciso muito cuidado: os cães selvagens dos desertos não entendem nada de sonhos, mas não dispensam roer um bom osso.

Darckson Lira.

   
 
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