- Resposta a um leitor -
A declaração encimada, de Anatole France, é uma boa frase-resumo do que penso acerca de partidos, sindicatos, organizações, ordens e outras estruturas sociais.
Já fui presidente desses grupos que pretendem falar ou representar segmentos e interesses corporativistas, desde o centro cívico de meu saudoso Julia Jorge (colégio), passando pelo Catolicismo onde fui presidente de grupo de jovens em minha paróquia, nas Convenções regionais já no meio evangélico do Brasil, até a vice-presidência e presidência interina de Convenção religiosa nos Estados Unidos.
Ao bem da verdade – diga-se de passagem – sempre com enorme relutância, pois quem me conhece de perto, sabe como sou avesso a essas castas...
Algum trauma específico?
Muitos!
Conheço esses meandros institucionais, a sede de poder, as disputas internas, as reais motivações por baixo do verniz de altruísmo e “zelo” para com Deus e o próximo.
Vejam o desastre ocorrido no que chamam de “Igreja”, tão logo foi institucionalizada, e o descarrilamento final que se deu com a conversão nominal de Constantino – conversão nominal? Mas afinal, o que era ou é ser “convertido”?
- “Convertido a Deus “- hão de vociferar contra mim os radicais interessados em manter a “Instituição” para engordar seus bolsos e manter seu prestígio...
Mas, “convertido a Deus” segundo a visão de quem? Dos Católicos, Ortodoxos, Reformados, Protestantes, Mórmons, Testemunhas de Jeová, Pentecostais, ou – qual mais dos milhares e milhares de grupos antagônicos que disputam a primazia da “ verdade” nesse mundo religioso?
Já decidi faz muitos anos caminhar só em meus desertos!
Conto com líderes evangélicos que já demonstraram serem meus amigos, e acho que posso alegrar-me em ter um bom número de irmãos, nas mais diversas modalidades de cristianismo que se apresentam por ai.
Mantenho-me - como requer o bom senso – prudentemente à disposição de qualquer dessas instituições que venham a necessitar de mim, mas sempre a uma distância segura!
Já fui convidado para pregar em um grande evento – que é o sonho dos principiantes na carreira Ministerial – e também para integrar a equipe de renomado pregador, e declinei, para espanto dos acólitos religiosos ou caudatários do rei...
Recentemente vivi mais um capítulo na tal “Marcha para Jesus” – pelo menos é para quem o povo pensa que está marchando – que lançou a “última pá de terra” na esperança que eu tinha de que os preceitos bíblicos acerca do amor, perdão, solidariedade, fraternidade e aquele monte de coisas que lemos no Sermão da Montanha e que não significam absolutamente NADA para os que se dizem “cristãos” – como aliás já tinha constatado (o Cristão) Mahatma Ghandi , estivessem sendo levados a sério.
(não falo praticar, seria pedir demais, mas pelo menos acreditar)?
O fato é – voltando a Anatole France – que as Instituições começam com uma inspiração (nem sempre ruim), mas findam por trair e se tornar no oposto de tudo daquilo que um dia ousaram afirmar!
Os interesses, a inveja, ciúme, rancor, o monstro que se chama “EGO”, acaba por prostituir a consciência (e batem tanto em outras formas de prostituição não é?) levando as pessoas a trair o próprio ideal de Cristo.
Daí chega uma hora em que a gente precisa correr riscos - como esse que estou a fazer agora quando escrevo este artigo – para poder orar em paz, está com o rosto descoberto diante de Deus e acima de tudo, tendo a consciência tranqüila, mesmo sabendo que se tem de desagradar a muitos e romper com sistemas quando necessário.
Creio que precisamos voltar a nos inspirar naquela “rebeldia de Jesus de Nazaré”, tendo a coragem de libertar a idéia de Deus, das prisões mentais, de conceitos e grupos que se apoderaram dela para manter o povo em sujeição vil.
Trata-se sim, de “Libertar a mensagem Libertadora”!
Não se iluda, o “tráfico de escravos” continua na religião, os donos de engenho estão ai, e penso que chegou a hora como disse Jesus, em que o Pai há de encontrar seus verdadeiros adoradores!
Não há de se cumprir deveres religiosos e nem fazer “Marcha para Jesus” só para inglês ver...
Um abraço amigo,
Darckson Lira. |