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Postado em 09/11/2009
 
Pr. Darckson Lira
Presidente da Igreja Batista Vale de Bênção
 
O DEUS DA SEGUNDA CHANCE
 

Livros de estudo têm uma importância colossal em minha vida, e costumo nas orações, agradecer a Deus por escritores – na maioria do passado – que são portadores de luz e conhecimento para minha vida.

A grande parte das pessoas (e está comprovado que o brasileiro em especial lê pouquíssimo) tocará apenas superficialmente idéias, porque há a necessidade de vivência, processo de maturação, formação, contato com realidades, para que um pensamento gerado em outra cabeça,  se estabeleça na nossa sem que seja deformado por estado inadequado da outra consciência que o recebe.

Sendo assim, minhas crônicas, artigos, poesias e matérias que escrevo, são frutos vivos, gerados no barro que sou eu, tocado pelo sol, ventos, chuvas, tempos de bonança e estações cheias de intempéries.

O que ocorre com relação ao ano e suas estações, tal acontece a cada ano de meu viver,  com meu próprio tempo e história.

Freqüentemente tenho de advertir as pessoas a que encarem as coisas tais como são, não criem expectativas ilusórias (“Viver é melhor que sonhar” – Belchior) e não confundam o mundo ideal com o mundo real!

Quem comigo convive, sabe que não costumo perder tempo discutindo coisas que “poderiam ter sido”, “deveriam ser” ou que seria perfeito “se fosse”...

De fato, fico impaciente quando percebo reclamações e aspirações inúteis que não possui estofo na realidade “nua e crua”, porque a vida é real e não um conto de fadas ou enredo cinematográfico feito para agradar audiência. Daí a necessidade de tratar com o que temos!Não estamos lutando com problemas meramente virtuais, com seres humanos talhados pela imaginação poética nem situações idealizadas na mente de algum sonhador.

Jesus foi extraordinário quando disse: “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”! Conheço milhares que vivem mentiras – devo ser mais sutil? – vidas irreais, realidades forçadas, maquiadas, para a todo custo agradarem outros, e encontrar um espaço sem rejeição dentro de algum sistema no qual estão inseridos.

É a verdade delas? Não! Pode ser a de Moisés, Elias, Davi ou Paulo, mas definitivamente não é a verdade pessoal delas.

E acredito firmemente, que é preferível a atitude de um publicano a “bater no peito e reconhecer sua insuficiência e incapacidade”, do que a de um fariseu que “mantem a cabeça empinada e orgulha-se de valores que definitivamente não são realidades naturais”!

Vi esses dias muita gente amargurada, indignada a protestar contra uma pessoa que após mais de duas décadas de casado (diga-se de passagem, excelente marido), divorciou-se e partiu para um segundo matrimônio.

Poderia o tal viver a vida como bem lhe apetecesse - é um próspero homem de negócios pai dedicado, bondoso com a família e especial amigo - que não tendo satisfação a dar a absolutamente ninguém, repito, poderia viver de “caso em caso” ou simplesmente viver maritalmente se assim desejasse.

Mas não! Sendo uma pessoa séria, bem intencionada e que sempre teve prazer em dedicar seu tempo e bens ao reino de Deus, quis fazer as coisas da maneira que julgou mais digna e acertada.

Assim mesmo, os críticos de plantão à uma se puseram a alardear censuras e recriminações sobre assunto que não lhes diz absolutamente respeito!

Mas e a Bíblia? Nessas horas de forma bem conveniente pesquisamos e lemos dúzias de versos que respaldam nossa indignação e modo de pensar.

É claro, que existem outros milhares de assuntos e situações –nas quais a Bíblia nos condenaria - que “driblamos”, ignoramos e fazemos questão de não ver, porque simplesmente nos é cômodo! E como em quase tudo na vida “nossas conveniências falam mais alto que nossas convicções”, logo nos apressamos em “tirar os ciscos dos olhos de nosso vizinho”, quando traves enormes distorcem nossa visão gerando toda sorte de preconceitos e distorções dos fatos.

Não sou a favor do divórcio!

Mas digo de peito aberto às setas das injúrias e críticas que me assacarem por conta da honestidade com que procuro emitir minhas opiniões: sou ainda menos a favor da hipocrisia e infelicidade na qual vivem milhares de casais, mantendo relacionamentos de fachada para alimentar e sobreviver nesse ambiente hostil, desumano e inclemente no qual vivemos que se chamam “Igrejas” ou comunidades religiosas.

Não vou discutir pensamentos de “escolas hebraicas” de dois ou quatro mil anos atrás, padrões estabelecidos (por Deus, ou em nome dele?) para uma sociedade com realidades e valores completamente diferentes dos nossos atuais, porque não têm embasamento na vida e no mundo real!

É engraçado, como não convém à nossa visão de mundo e sociedade ocidental a poligamia, é coisa fácil encontrar argumentos para combater e descredenciar tal prática.

Mas a maldade de impor aos outros a condenação de viver vidas infelizes e relacionamentos esvaziados de todo sentido, essa mantêm, por ser ainda conveniente à nossa visão de mundo.

Por favor, cautela com os julgamentos...

Lembre-se que “em parte conhecemos e só em parte profetizamos”!

De uma coisa tenho certeza: vejo Deus na Bíblia, concedendo oportunidades e dando chances aos que por falta de discernimento, maturidade ou fraqueza, cometeram erros, em qualquer âmbito da vida.

Não me peçam que condene pessoas que por algum motivo ao qual não me cabe julgar, descobre que um relacionamento foi resultado de uma escolha sem discernimento, sem conhecimento ou por força de necessidade imperiosa!

Lembro-me também, das palavras de Paulo que disse: “um dia ter pensado como menino, agido como menino e falado como menino, mas que se tornou adulto, e desistiu das coisas próprias de um menino”.

Acredito  realmente que também com relação a muitos matrimônios, eles foram contraídos em estado de imaturidade, inocência, pouca compreensão do significado e erros infantis, quando não por arroubo e entusiasmo juvenil.

Daí, o crescimento chegou, a maturidade com uma compreensão mais ampla, carências mais profundas, necessidades – até então desconhecidas – e nesse caso, não me sinto apto a condenar os que resolvem partir para outro matrimonio que satisfaça as novas exigências que a vida e seu próprio ser  e circunstâncias impõem.

Em muitos casos lamento que as coisas sejam assim, sinto muito pelos sofrimentos e dores causados a todos os envolvidos, mas, retorno ao que falei anteriormente: a vida de uma pessoa é maior e mais importante que “o sábado”!

As regras fixas e dogmáticas que regulam condutas matrimoniais e determinam procedimentos, não podem ser maiores e mais importantes que a felicidade, sanidade e bem-estar das pessoas!

Evidentemente cada caso é um caso...

Mas de um modo geral, não podemos sair por ai condenando pessoas e atirando pedras, decretando juízo final, quando Deus concede a todos – Graças a Deus Ele é Deus – sempre uma segunda chance.

Está dito!

Que venham as pedradas.

Darckson Lira.

   
 
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