Diante dos últimos fatos ocorridos no cenário político nacional – embora seja uma tarefa quase impossível acompanhar a multiplicação de escândalos – a já desacreditada classe política afunda em pântanos cada vez mais lúgubres!O cenário político e religioso do Brasil, é surreal!O semblante dos políticos com aquela expressão lisérgica e teatral na televisão, tem sido o pão de cada dia nos escândalos que não cessam.
Ao acompanhar cautelosamente as últimas notícias, veio-me à mente uma citação de Albert Camus, em seu livro “O Mito de Sísifo”: “No dia em que o crime se enfeitar com os despojos da inocência, por uma curiosa reviravolta própria do nosso tempo, a inocência é que será intimada a fornecer suas justificativas.”.Tenho a cada dia falado e escrito menos, porque como disse em meu último livro, “o mundo já está bastante pensado e falado”.
Às minhas reminiscências afloram de imediato uma frase de meu pai ( o velho filósofo popular Chico Lira), que citava com freqüência: “ Meu filho, um padeiro ruim até pode fazer um pão comestível se a massa for muito boa. Mas se a massa for estragada, o melhor dos padeiros não poderá produzir um pão de qualidade”.Surge então A pergunta: dentro dessa estrutura social, econômica e política (legalizada neste país) – Qual político se elege sem “comprar” voto?
Já faz parte desse jogo eletivo – do “toma-lá-dá-cá”, o eleitor “pedir seu Panetone” seja na forma de dinheiro, cargo, emprego para alguém, bolsa, concessão de rádio ou TV, cirurgia de um parente ou dentadura nova e por ai vai...Estou a escrever alguma inverdade?Logo, não sei até que ponto a “autoridade do povo” é mais ética ou moralmente mais justa que a de alguns magistrados corruptos que julgarão os políticos corruptos.
É bom lembrar que os políticos que estão nas câmaras, prefeituras, congresso e senado, bem como no alto escalão do executivo e judiciário, não vieram de outra galáxia, nem mesmo de algum planeta quente como o inferno (embora a vontade de crer seja muita), chamado mercúrio: eles são brasileiros, impregnados com a cultura brasileira, leniência das leis brasileiras, falta de disciplina, má formação moral e religiosa, bem como o universalmente famoso (e repudiado nos países sérios) “jeitinho brasileiro”...Sabe as safadezas que vemos no dia-a-dia com esse pessoal que gosta de levar vantagem em tudo? São nossos conchavos, truques, manhas e “politiquinhas” levadas ao extremo para os poderes constituídos.
O pior, e chamo a atenção do leitor, é que esses crimes já estavam ai, e sempre estiveram – mas por que, só costumam aparecer às vésperas dos pleitos eleitorais? A idéia subjacente parece clara, e o nervo está exposto: gangs e bandidos precisam ser desalojados, para que outros corruptos tenham sua fatia no bolo da criminalidade sistêmica!Essa corrupção secularmente arraigada na história brasileira, faz com que todo o processo de investigação, apuração e julgamento desses “crimes de cachorros grandes” – que podem ser também a grande explicação para o resto da criminalidade que corre solta – sejam colocados sob suspeita, gerando ainda mais revolta e estimulando no “inconsciente coletivo” a impressão de que o crime compensa!
Talvez não compense para o ladrão de botequins e bolsas, mas parece terminar sempre bem para os criminosos influentes e ricos. O resultado é cada dia mais evidente na estrutura deste país, na realidade nua e crua que vemos nas ruas e instituições, onde o cinismo e desrespeito para com as leis e justiça ganham proporções alarmantes.
Tem jeito? Tem!...Temos leis? ...Temos!Então existe solução? Sim!
Mas quantos ainda acreditam na Justiça?
Darckson Lira. |