Líderes que pregam contra o capitalismo e vivem na burguesia (empresários do púlpito)
Que contestam discursos taxando-os de ilógicos, mas tudo que refletem são incertezas,
Que pregam contra “incoerências”, mas sobrevivem graças a elas,
Que propõem interrogações como respostas,
Que descobriram na atitude crítica, um nicho a ser explorado e que não passa de grotesca demagogia!
Não é difícil ser uma espécie de franco-atirador e sair por ai multiplicando argumentos e apontando falhas dos sistemas: o complicado é – o que vamos construir em substituição ao que pretendemos acabar (falo a partir de nós mesmos). Continuar alimentando-se de estruturas arraigadas em vícios enquanto alegamos discordar de tudo e propor uma desconstrução do que já está posto, é além de desonesto, ridículo!
E mais: se as ferramentas utilizadas, continuam a ser raciocínios – e nada além deles – caímos no conto da utopia que “pretende mudar todas as coisas, para que tudo continue exatamente igual”.Nesse caso, filosofar é também se enganar, porque ao fim e ao cabo, nosso muito falar só conduzirá a abstrações que jamais tocarão a realidade concreta da vida.
Para as massas, que por motivos óbvios de conveniência consomem tais escritores e “ideologias” (nada mais que retratos da confusão emocional ou interesse em explorar o mercado dos desajustados) é tranqüilizador freqüentar essas ilhas de fantasias virtuais onde descansam a consciência, lendo e escutando discursos recheados de belos termos tais como – justiça, fraternidade, harmonia, ideal, beleza, amor e caridade – enquanto comem “brioche” e não conseguem compreender porque é que o povo que reclama não ter pão, não come também... ( à moda de Maria Antonieta).
São cômodos esses credos nebulosos, onde os que os professam têm opiniões a respeito de praticamente tudo, mas não se definem acerca de praticamente nada!A Bíblia? Um livro inspirado! Mas até que ponto?
Silêncio...
A Salvação? Temos que libertá-la do conceito comum (cheio de ranço) e redefinir em horizontes mais amplos (?). Mas o que se quer dizer com isso?
Silêncio...
E Deus? É incomensurável. Certamente maior que as confissões, muito mais do que disseram profetas, apóstolos, pais e concílios! Poderia por favor, nos dá uma luz?
Silêncio...
Deixe-me concluir porque devo estar cansando meus leitores.
A proposta de um conhecimento – seja de que ordem for – que não admita princípios que regulem seus valores, que rejeite instâncias normativas que submetam nosso “saber” ao juízo de uma gnosiologia já organizada – ainda que seja somente para confrontar e obter o direito de discordar (não falo discordar por discordar) é arrogante, frágil e condenado ao fracasso, como todas as especulações inúteis de conhecimento invertebrado!
Neste ponto, tenho de aplaudir os fundamentalistas e radicais que têm a coragem de afirmar suas crenças – por mais aloprados que sejam – preferindo-os por vezes, aos que por sua vez prodigalizam escritos e discursos movidos por pura vaidade, lançando seus seguidores numa espécie de limbo intelectual, desconhecendo assim o céu ou o inferno onde por vezes somos lançados ao formular e afirmar nossas convicções.
Logo, encontro-me completamente céptico com relação ao exercício da atividade intelectual, quando ela nada mais é que ventos ciganos a movimentar poeira inútil, confeito de palavras, pronunciamentos vazios quais tiros de festim que não possuindo o projétil só manifestam a pólvora.
Eu disse pólvora? Eureca! Será que descobri algo novo?
Darckson Lira. |