O engessamento da Teologia, a petrificação das ditas verdades imutáveis, acaba na relação pessoal de cada um com Deus.
Todas as nossas articulações ideológicas, nossas debatidas, suadas e sofridas especulações que geram grandiloqüentes construções de pensamento, não passam - como diria Tomás de Aquino no fim de sua vida ao ver-se frente ao grande mistério que o fim nos reserva - de " palha"!
Não existe para nós uma Verdade Absoluta, fixa, inalterável, mesmo porque não podemos, não sabemos, não temos como absorver o absoluto.
Voltemos a Paulo: "Em parte conhecemos, e em parte profetizamos"!
A Verdade divina tornou-se relativa na humanização de Jesus Cristo, e não será diferente para cada um de nós: isto é, a verdade vai se descortinando à medida do aperfeiçoamento de nossa própria humanização.
Meu povo! Libertemos a verdade dos sistemas prontos, acabados, fechados, porque isso tudo não passa de uma vã pretensão humana.
A uns, Jesus curou meramente enviando uma palavra (verboenergética, perdoem-me o neologismo) a outros deixou-se tocar, a outros usou as próprias mãos tocando-os, e ainda utilizou-se de saliva e barro.
Devemos e podemos lançar-mão de todos os métodos éticos, para alcançar vidas pro Reino: lembro-me do espanto de alguns irmãos, quando há uns 20 anos atrás fiz um lava-pés na Igreja em Fortaleza: foi um tremendo choque, e teve até quem se levantasse indignado, saindo numa explosão de ira da reunião!
Vamos abrir a mente para não prejudicar a propagação da Mensagem do Evangelho por conta de radicalismo infantil, apego a preceitos que já caducaram e manutenção de estruturas que já não se comunicam mais com nossos tempos.
Não esqueçam que até os apóstolos foram vítimas da mentalidade de seus dias, havendo terríveis debates e divisões já naquele tempo, por conta de intolerância e ranço dos velhos hábitos dos quais não queriam abrir-mão.
Foi assim que a Igreja "rachou", por conta dos que exigiam que ainda se praticasse a circuncisão, se seguissem ritos e preceitos judaicos (que tiveram sentido em dado momento) mas que já não faziam sentido no novo tempo que se inaugurava.
Mas os apóstolos, mesmo Paulo (um homem além do seu tempo? Em partes...) ratificou procedimentos absurdos da lei quanto ao comportamento das mulheres ("fiquem caladas"!) e não denunciou a maldade extrema da escravatura em seus dias.
Parece que não paramos para refletir sobre coisas bem simples, tais como: por que continuamos a apresentar crianças, se era um rito estritamente ligado á lei, a um momento da história do povo de Israel? E eu pergunto, e por que não? Desde que não seja transformado em dogma, é um ato perfeitamente alinhado com uma vida devocional de entrega e consagração a Deus.
E por que as crianças não podem participar da Santa Ceia? Delas é o reino dos Céus, mas não o "pão e vinho"?
Por qual motivo comemoramos "aniversários", se os únicos dois exemplos que temos na Bíblia, não são nada animadores e é uma festa de origem pagã desde os bolos às velas?
E o que dizer da mudança do sábado pro domingo? Os que se opõe a isso, possuem motivos bem fortes para fazê-lo! Seria a substituição de uma ordenança Bíblica por uma pratica pagã?
Claro que não! Na revolucionária visão do Cristo, que é capaz de transcender aos ritos e formas, Ele mesmo se constituiu no nosso descanso (Mateus 11:28-30).
Natal? Não faltam argumentos dos teologastros e líderes que gostam de posar de inovadores (claro que é uma ferramenta de marketing) combater a referida data, e oferecer como sucedâneo a festa dos tabernáculos. Amamos a idéia de que possuímos algo que os outros não têm: sejam carros, celulares, habilidades, roupas, religião, idéias, etc.
NÃO HÁ NADA DE ERRADO em utilizar-se do natal com suas árvores, adornos e presentes, para estar próximos às pessoas, ter momentos de comunhão com a família e amigos.
NÃO HÁ NADA DE ERRADO em usar a data das festas Juninas para ajuntar pessoas com trajes típicos, "falar caipira" desde que não comprometa nossa consciência em relação aos valores que cremos - não refiro-me aos periféricos porque nesse particular não tem Igreja que se entenda com a outra - mas, no tocante ao que é essencial à nossa Fé.
Deixe-me ver o que mais: Ah! Pode beber coca-cola, comer "pé-de-moleque" (cuidado pro "moleque" não ser o saci-pererê), pode também bolo de milho, fubá, pular, dançar, alegrar-se, e até comer pipoca!
Só não esqueçam de dizer que São João disse: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna".(João 3:16).
E São Pedro confirmou: "E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu, não há nenhum outro nome pelo qual devamos ser salvos"! (Atos 4:12).
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